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Após o bom resultado obtido pela equipe de pesquisadores da Fiocruz Amazônia, onde conseguiram com que os próprios mosquitos transmissores dos vírus zika, dengue, chikungunya e febre amarela possam atuar no controle de surtos epidêmicos, disseminando eles próprios o larvicida Pyriproxyfen em criadouros aquáticos, chegou a vez de Porto Nacional ampliar os resultados

Sendo a única cidade do Tocantins a participar da pesquisa, os agentes de combate a endemias – ACE, de Porto Nacional estarão participando de oficinas durante duas semanas, de 22 de janeiro a 2 de fevereiro, quando técnicos e pesquisadores da Fiocruz de Manaus estarão relatando e passando a eles os bons resultados da pesquisa utilizando as estações disseminadoras. Mais de 90 profissionais estão envolvidos diretamente na estratégia. O projeto teve início em Porto Nacional em fevereiro de 2017.

Com a parceria entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz de Manaus e o município, a secretária da Saúde de Porto Nacional, Anna Crystina, espera obter na cidade os bons números obtidos em Manacapuru, cidade amazonense, onde foi testada a pesquisa.

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A pesquisa

Para a pesquisa foram selecionadas 100 habitações em Manacapuru (AM), distribuídas uniformemente pela cidade, para a vigilância de mosquitos, como criadouros sentinela, monitorando as populações locais de mosquitos, por um ano. Depois, foram distribuídas por toda a cidade mil estações disseminadoras de larvicida – recipientes com as paredes cobertas por um pano preto, tratado com pó de Pyriproxyfen. As estações disseminadoras continham um pouco de água para atrair as fêmeas dos mosquitos.

As mudanças na população de mosquitos foram percebidas 15 dias após a distribuição das estações disseminadoras. O número de larvas de Aedes nos criadouros sentinela caiu em 80-90%, e a mortalidade das larvas aumentou para 80-90% durante a disseminação de Pyriproxyfen. O número de mosquitos adultos emergindo dos criadouros despencou em mais de 95% na cidade inteira, de forma que a emergência de fêmeas de Aedes caiu de 500-600 por mês antes da intervenção, para um mínimo de uma única fêmea no sexto mês de disseminação.

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Por fim, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para investigar o impacto potencial desta drástica redução da emergência de fêmeas de Aedes na cidade. O número de fêmeas de Aedes na localidade simplesmente não seria suficiente para manter a transmissão do vírus, e o surto desapareceria rapidamente, sem alcançar dimensões de epidemia.