Genoma SUS: banco de dados genéticos começa a ser construído em Porto Nacional para o futuro da saúde
Projeto inédito no estado mapeia diversidade genética da população para avanços no tratamento pelo SUS
Foto: Dornil Sobrinho/Secom Porto Nacional

No último final de semana 22 e 23 de agosto, Porto Nacional foi marco para a ciência e a saúde pública no Tocantins. O município recebeu o projeto Genoma SUS, uma iniciativa do Ministério da Saúde que tem como objetivo mapear a diversidade genética da população brasileira, com foco em tratamentos personalizados no Sistema Único de Saúde.
A ação, realizada no Centro de Especialidades Médicas (CEME), contou com a adesão voluntária de mais de 300 pessoas cadastradas previamente, que compareceram para a coleta de sangue e contribuíram com a produção de conhecimento científico inédito na região Norte.
Estrutura de excelência
A coleta ocorreu em dois dias intensos de trabalho, com equipe multidisciplinar formada por profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA), acadêmicos e médicos do Tocantins, além do apoio da Ulbra de Palmas. A estrutura montada no CEME garantiu acolhimento, segurança e agilidade no atendimento aos voluntários, sob supervisão da médica hansenóloga Seyna Ueno e com total suporte da Secretaria Municipal de Saúde, do SAE/CEME.

“Porto Nacional está tendo a oportunidade de receber esse projeto científico tão ilustre na ciência do nosso país. Conhecer a identidade genética do nosso povo é importante para que a gente possa construir políticas públicas de saúde mais assertivas, fazer uma medicina de precisão.” Seyna Ueno, médica hansenóloga
Genoma SUS: uma janela para o futuro da saúde no Brasil
O Genoma SUS faz parte do programa Genomas Brasil, do Ministério da Saúde, e busca construir uma base de dados que represente, de fato, a miscigenação e a diversidade genética do país incluindo populações historicamente em estudos genômicos.
“O Genoma SUS é uma iniciativa do Ministério da Saúde, dentro de um programa maior chamado Genomas Brasil, que tem por finalidade conhecer o mapeamento genômico da população.” Pablo Pinto, médico da Universidade Federal do Pará (UFPA)

Um dos grandes diferenciais do projeto é levar a ciência para onde ela ainda não chegou. A coordenadora do centro âncora da Amazônia, Andrea Ribeira, reforçou a urgência de incluir a população nortista nas pesquisas genômicas:
“Porque a região Norte, de um modo geral, ela não está representada quando a gente fala de saúde. Então tudo que é testado de medicamento, todas as vacinas são testadas fora, e a gente não sabe como vai responder a esses medicamentos, porque se a gente não se conhece, não tem como fazer um medicamento mais específico para a região.” Andrea Ribeira, coordenadora do centro âncora da Amazônia
Porto Nacional como referência nacional
Além do Genoma SUS, Porto Nacional já se destaca no cenário nacional com o projeto Porto Livre da Hanseníase, que é referência no SUS e serviu de inspiração para a realização da nova iniciativa. O médico Cláudio Pinto, que acompanhou as atividades, celebrou a integração entre ciência, gestão e cuidado com a população.

“Vocês têm aqui um trabalho importantíssimo, não só para a região, mas para o Brasil inteiro. É um trabalho que sabe identificar as pessoas que têm hanseníase e tratar essas pessoas do modo adequado. É uma alegria muito grande para Porto Nacional estar tendo a oportunidade de receber esse projeto científico tão ilustre na ciência do nosso país.” Cláudio Salgado, médico

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